04 - HALL DOS ARCAZES - Galeria BankBoston

EXPOSIÇÕES PERMANENTES

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Foto: BankBoston


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Em janeiro de 2001, através da doação feita pelo Bank Boston, o Museu Histórico Nacional incorporou à sua coleção de arte sacra dez valiosas pinturas cusquenhas dos séculos XVII, XVIII e XIX, testemunhos da cultura peruana, que podem ser apreciadas pelo público no Hall dos Arcazes.

Estas pinturas, ao lado do acervo já existente no Museu -contribuem ignificativamente para uma melhor compreensão da arte sacra na América Latina. Oriundas do mesmo período das peças apresentadas na Galeria Bank Boston - Hall dos Arcazes, as pinturas cusquenhas somam-se à arte religiosa brasileira, oferecendo um olhar que encontra na diferença artística a semelhança da religiosidade colonizadora.


A ARTE CUZQUENHA


Com a conquista de Cuzco pelos espanhóis, em 1534, inicia-se uma profunda transformação na história política do Império Inca, como também um novo capítulo em sua história da arte.

A pintura cusquenha surge como arte eclesiástica e sua finalidade principal foi didática - sobretudo catequética, uma vez que os espanhóis, com o crescente processo de apropriação das riquezas da nova colônia, partem para a conversão das almas pagãs à religião católica.

A imagem era - aliada à palavra - o único meio bastante eficaz de transmitir o catolicismo. Apostando na evangelização dos povos da comunidade incaica, a Espanha envia um grupo de religiosos artistas para a criação de obras doutrinárias, formando escolas de pintores índios ou mestiços, com o ensino da arte do desenho e do óleo.

O termo "cusquenho", no entanto, não se limita a Cuzco, origem destas pinturas coloniais hispano-americanas, que foram produzidas igualmente em outros países andinos, como Bolívia e Equador, entre os séculos XVI a XVIII. A denominação se generalizou mais por ser a cidade de Cuzco, no Peru, a capital e o centro do Império Inca. De qualquer forma, a Escola de Cuzco é considerada como o primeiro centro pictórico organizado no chamado Novo Mundo.

Os temas cusquenhos - exclusivamente religiosos - são os mesmos do italiano Fra Angelico - na primeira metade do século XV e dos mestres de Pisa e Siena na Idade Média: cenas bíblicas da tradição católica - a glorificação de Jesus, Virgem Maria e Santos, Juízo Final, com as glórias do Paraíso e a danação do Inferno.

Os cusquenhos ignoram a perspectiva e preferem o vermelho, o amarelo e as cores terrosas. Dão ênfase à beleza física das figuras agigantando os santos para reduzir os seus devotos a pontos minúsculos nas telas. Criam a impressão de volume estatuário dos mantos suntuosos e dão contorno de monumento a cortinas e colunas.

Mesmo sofrendo influência das escolas bizantina, flamenga e renascentista italiana, os cusquenhos peruanos mostram uma liberdade desconhecida dos europeus: cores vivas, imagens distorcidas para dar maior dramaticidade à cena, sobre fundo ilustrado com fauna e flora dos Andes adornado com anjos e arcanjos.

Ignora-se a autoria da maioria destes trabalhos, dada a tradição dos povos pré-colombianos, cuja arte era essencialmente comunitária e ritual.