HALL DOS ARCAZES - Galeria BankBoston

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Foto: Denize Pereira


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Foto: BankBoston


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Nesse espaço que interliga os Pátios da Minerva, Gustavo Barroso e dos Canhões, encontra-se exposta a coleção de arte sacra cuzquenha doada ao Museu em 2001 pelo Bank Boston. São valiosas pinturas dos séculos XVII, XVIII e XIX, testemunhos da cultura peruana, que, ao lado de outras peças já existentes no Museu, contribuem significativamente para uma melhor compreensão da arte sacra na América Latina.

Destaque, ainda, para os monumentais arcazes provenientes de sacristias de igrejas brasileiras.
Nesse local foi instalada em 2007 uma plataforma móvel, visando dar acessibilidade aos portadores de necessidades especiais aos diversos pátios e exposições, assim como ao palco do Auditório do Museu.


A ARTE CUZQUENHA

Com a conquista de Cuzco pelos espanhóis, em 1534, inicia-se uma profunda transformação na história política do Império Inca, como também um novo capítulo em sua história da arte.


A pintura cusquenha surge como arte eclesiástica e sua finalidade principal foi didática - sobretudo catequética, uma vez que os espanhóis, com o crescente processo de apropriação das riquezas da nova colônia, partem para a conversão das almas pagãs à religião católica.

A imagem era - aliada à palavra - o único meio bastante eficaz de transmitir o catolicismo. Apostando na evangelização dos povos da comunidade incaica, a Espanha envia um grupo de religiosos artistas para a criação de obras doutrinárias, formando escolas de pintores índios ou mestiços, com o ensino da arte do desenho e do óleo.

O termo "cusquenho", no entanto, não se limita a Cuzco, origem destas pinturas coloniais hispano-americanas, que foram produzidas igualmente em outros países andinos, como Bolívia e Equador, entre os séculos XVI a XVIII. A denominação se generalizou mais por ser a cidade de Cuzco, no Peru, a capital e o centro do Império Inca. De qualquer forma, a Escola de Cuzco é considerada como o primeiro centro pictórico organizado no chamado Novo Mundo.

Os temas cusquenhos - exclusivamente religiosos - são os mesmos do italiano Fra Angelico - na primeira metade do século XV e dos mestres de Pisa e Siena na Idade Média: cenas bíblicas da tradição católica - a glorificação de Jesus, Virgem Maria e Santos, Juízo Final, com as glórias do Paraíso e a danação do Inferno.

Os cusquenhos ignoram a perspectiva e preferem o vermelho, o amarelo e as cores terrosas. Dão ênfase à beleza física das figuras agigantando os santos para reduzir os seus devotos a pontos minúsculos nas telas. Criam a impressão de volume estatuário dos mantos suntuosos e dão contorno de monumento a cortinas e colunas.

Mesmo sofrendo influência das escolas bizantina, flamenga e renascentista italiana, os cusquenhos peruanos mostram uma liberdade desconhecida dos europeus: cores vivas, imagens distorcidas para dar maior dramaticidade à cena, sobre fundo ilustrado com fauna e flora dos Andes adornado com anjos e arcanjos.

Ignora-se a autoria da maioria destes trabalhos, dada a tradição dos povos pré-colombianos, cuja arte era essencialmente comunitária e ritual.